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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O pequizeiro - colheita

Aqui um pedacinho da "COLHEITA DO PEQUI" aqui na Escola casa Verde. Você conhece um pequizeiro?

"(...) Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam."
(Cora Coralina)


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Uma visita especial



Escola pressupõe: currículo, planejamento... , porém, nada pode ser maior que a vida. Uma educação sensível agrega às grades curriculares a vida e a alegria, tão pulsantes na infância.



domingo, 1 de dezembro de 2013

Uma pausa para a Matemática


“ A disciplina intelectual do educando (..) ganha sentido real 
quando se vai constituindo nesta relação curiosa entre ele, educando, 
como sujeito que conhece, e o objeto a ser conhecido.” (Paulo Freire)



 Nosso trabalho na escola é assim, um escarafunchar constante. Plantamos e colhemos os frutos, cuidamos do jardim, conversamos sobre as nossas tarefas, tratamos dos animais, fabricamos a nossa comida . A matemática, a linguagem, as ciências todas se fazem presentes  a cada ação. Qualquer que seja a proposta de construção conjunta, a  lógica esta presente: descrevendo, comparando,  agrupando, medindo, retirando, complementando, observando, marcando o tempo, o espaço, quantificando os objetos, as plantas, os animais...O mundo é assim, todo imbricado, e está a exigir-nos competências várias. Onde há uma ação reflexiva mais que os cálculos a vida esta presentes  cobrando atitude, coragem, ação e reflexão.

                                     

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Repartindo o verbo AMAR liberto de qualquer gramática.



Repartindo o verbo AMAR liberto de qualquer gramática.



"Foi preciso conter o desejo da mão.
Fechamos os olhos para ver melhor. 
Sem ver: enxergamos, ouvimos, sentimos o inaudível. 
É assim que se apreendem as lições da terra 
e de tudo que nela habita. "

(trecho de relatório de atividades da Escola Casa Verde)




quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Salvando a jabuticabeira

Patrulha da Jabuticaba:
A mudança da jabuticabeira para a Casa Verde


"As plantas me ensinavam de chão.
Fui aprendendo com o corpo.
Hoje sofro de gorjeios nos lugares puídos de mim.
Sofro de árvores."

Manoel de Barros (Compêndio para uso de pássaros)



Percebendo a nossa vontade de chafurdar a terra, o professor João Batista parou a Patrulha e convidou:

Vamos trabalhar com a terra? 

A alegria foi geral. Sentamos em volta daquele buracão, prontos para qualquer tarefa. Foi preciso conter o desejo das mãos, ávidas por terra, adiar a alegria da futricação, pois antes de por a mão na massa, quer dizer, na terra, João ensinou-nos a demorar o olhar por sobre as coisas a nossa volta. Foi ai que fechamos os olhos para ver melhor. Elencamos tudo o que víamos, sem ver: Bananeira, alamandra, sabiá, buriti, dipladênia, minhoca, coró de pau, lagarto, “ Casal Passarão” que é um casal de pássaros gigantes que moram no buriti, Cigarra...

- E canto de cigarra professor, vale também? – Perguntou o Rafael. 

 Ai pronto, a lista não acabava mais. Elencamos o que não víamos, mas ouvíamos, sentíamos: vento, Cheiro de terra, mosquito, dor de barrigal... choro do João Gabriel, briga do Lui, Manuel de Barros poetando: Eu queria que minhas palavras, de joelho no chão pudessem ouvir as origens da terra”, que a Alexandra escreveu no vaso bem ali, Saíram coisas do arco da velha...

João explicou-nos que só é possível apreender o silencio e o som, a vida e a morte, o cheio e o vazio, ou mesmo as lições de tudo que é bichos, planta, gente, etc. se fecharmos os olhos. Assim, sem ver, enxergamos, ouvimos, sentimos os carecimentos da terra e de tudo que nela habita. 


Andamos mesmo precisando exercitar a demora do olhar, o silencio mais profundo. João explicou ainda que separou a terra que tirou para fazer o buraco assim: a que estava na parte de cima do solo ficou de um lado e a que estava mais profunda, do outro. O monturo de terra que estava mais superficial tinha uma coloração escura por causa dos nutrientes, processados por um batalhão de seres pequeninos, quase imperceptíveis, trabalhadores incansáveis a transformar matéria orgânica em humos. As raízes de nossa futura moradora seriam cobertas apenas com a terra preta, boa para fornecer-lhe todos os nutrientes necessários a sua recuperação.

Havia no monturo de terra preta muitos insetos. 
Dentre eles, uma família enorme de cupins. Havia também uma infinidade de matéria ainda não processada o que por certo atrairia aquele exército de soldadinhos, recrutados na infantaria da terra. Minúsculos em estatura, mas fortes, renitentes e prontos para o combate organizado e silencioso. Todo cuidado era pouco para mantê-los afastados das raízes frágeis que estavam por vir. Nossa tarefa agora era afastar qualquer sinal de morte que pudesse atraí-los. O que transformaria nossa jabuticabeira em humos antes do tempo. 

E foi graveto, fragmentos de grama, pau, folhas secas, pedaços de raiz, pra um lado e terra preta pro outro. 
Enquanto garimpávamos os restos de ramo, graveto,... a professora Elizete lembrou que a palavra 'homem' deriva da palavra 'humos' que quer dizer origem de todas as coisas inclusive da vida. 

– Observem a matéria que separamos da terra. 

Cada uma tinha uma forma de vida, agora estão todas aqui no mesmo monturo, transformando-se em humos para ganhar novas formas de vida. A palavra ”humilde” também deriva de humos por causa desse processo. Decompor-se, e recompor-se em favor de uma nova vida. Reduzir-se em partículas extremamente minúsculas para depois reunir-se à terra, somando força em favor de um objetivo nobre e de extrema importância, no nosso caso, garantir a vida da nossa jabuticabeira.

Nosso trabalho na escola é assim, um escarafunchar constante. Plantamos o jardim, conversamos sobre as nossas tarefas, cuidamos dos animais, fabricamos a nossa comida, colhemos os frutos, trabalhando a terra feito bicho, numa escavação constante. Tatuzinhos cavando a própria casa, a própria morte, a própria sorte. . .

E foi tatu pra todo lado Tatuzando, que é o mesmo que tatu tá. Vem tatuzar também! Vamos precisar de muitos tatuzinhos e tatuzão, daqueles bem fortes pra ajudar a transportar e plantar uma jabuticabeira enorme.

Mas esta história fica para uma outra vez.


Relatório elaborado pelos alunos e professores do grupo de 7 a 8 anos.


“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. 
Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.”

Cora Coralina


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Nascimento da primeira ninhada

No canto da casa da árvore, professor João fez uma casinha para abrigar Lampião e a Maria Bonita. Essa morada ficou tão pequena, mas tão pequena, que faz de conta que nossa Casinha de Bambuê virou o castelo daquele outro João, o da estória, que plantou o pé de feijão. E nós, viramos uns gigantes barulhentos e curiosos, bem querendo conquistar a confiança dos novos vizinhos.
Maria Bonita é a nossa galinhazinha galizê. Gostou muito do ninho e foi logo se ajeitando. cantarolou, ciscou de lado, juntou gravetos e pronto, agora sim, aninhou-se sossegada.
Também, com tantos ajudantes!
Uma porção de olhinhos curiosos, fazendo silêncio, não balançando a ponte, cobrindo de mimo aquele casalzinho apaixonado! Trouxemos palha, grama seca e tudo o mais que servisse pra aquecer o ninho. Foi aí que o professor João trouxe e nos apresentou o indez. Na palma da mão ele mostrou pra gente, lisinho e redondo, um ovo. Explicou que, indez, é o primeiro ovo, aquele que inaugura a ninhada. E não é que deu certo! Maria Bonita destramelou a botar. Uma porção de ovos miúdos, branquinhos, delicadas caixinhas de guardar vida. Todos os dias a cantoria era certa: bote-bote-bote botei ovo! botei ovo! Gritava a galinha galizé que é bem pequena, mas faz um barulhão danado quando bota. Porque ela quer que toda a gente fique sabendo do seu ovo.

e bota 1, e bota 2, e bota 3, 
e bota 4, e bota 5, e bota 6,
e bota 7, e bota 8,e bota 9, 
e bota 10!

Uma dezena de dias de muita cantoria! Uma dezena de caixas redondinhas, sem chave, nem campainha.

- Mas, professor, como os pintinhos vão sair daí?

- Como vão respirar, se está tudo fechado?

- E se a gente fizer uma janelinha pra eles espiarem o mundo?

Até que passados uns dias, a cantoria e o alarido cessaram. Não se via mais Maria Bonita passeando pelo terreiro. Porque ela só queria ficar quietinha no ninho, agasalhando os ovos, vigiando as horas. Com toda a paciência do mundo! Demorou 21 dias para que o professor Eduardo anunciasse a chegada dos pintinhos. Eles bicavam a casca dura do ovo, punham o bico de fora e se mexiam até quebrar a caixinha e ganhar o mundo.

"Afagar a terra, conhecer os desejos da terra..."

    

      Hoje saímos da sala pra sentir a cor do vento, ouvir o cheiro do sol, sentir o gosto do ar, a textura do céu. E lá estava o professor João Batista, estudioso das pequenas e grandes coisas do chão. Ele estava cuidando da terra, para melhor sustento das plantas.
     


___ Mas a terra já não vem pronta? Alguém teve a ideia de perguntar. 

E o professor explicou:

 "Ensinar exige convicção de que mudanças são possíveis"       P. Freire
  
__ Se não descompactarmos a terra, ela não consegue abraçar a raiz.  Olhem devagar, sintam a textura da terra, dura e seca, apesar de tanta chuva que tem caído. Sabem por quê? 


     A gente ainda não sabia.




__ Porque o grilo, a cigarra, a minhoca não moram mais aqui. Nenhum bichinho escava cavernas ou come restos de folhas para fabricar o húmus que fortalece a planta e sustenta a vida. Daí, a terra fica assim, só servindo pra gente pisar em cima.  Desse jeito, quando cai a chuva, em vez de trazer bonança,  vem arrastando pau, pedra, lixo. ... Assoreia os rios, derruba pontes, abre crateras. E no lugar de trazer vida, traz enchente, alaga ruas, destrói casas e provoca destruição. A natureza é sábia, não fosse a ação humana, devastando tudo, o ir e vir das flores e bichos aconteceria naturalmente. Agora, antes de plantar, precisamos dar uma mãozinha à terra.


Nossos olhos estavam grandes assim, compreendendo o tamanho do mundo. Então, antes de transplantar as primeiras mudas, que há alguns dias semeamos, resolvemos fazer uma dança em homenagem à terra. Num minuto a ciranda se desfez e se refez, e já éramos então uns curumins tapuios, de mãos dadas, dançando o “Uarirê”, saudando terra e sol.
  
Depois pedimos licença pra mãe terra, arrancamos parte da raiz da mandioca e seguimos em direção à cozinha para transformá-la em alimento e compartilhar o gosto do que foi ensinado e aprendido.
( relato de atividade - professora Elizete e alunos do 1º e 2º ano)