é uma iniciativa do Inspirare, instituto que
busca inspirar inovações em iniciativas empreendedoras, políticas
públicas, programas e investimentos que melhorem a qualidade da educação
no Brasil.
Nesse colégio em Goiânia há salas convencionais, mas as quatro
paredes são usadas o mínimo possível: em dias chuvosos, discussões mais
calorosas ou para realizar pesquisas em livros e na internet. Os
estudantes de ensino infantil e fundamental I na escola privada
Casa Verde,
em Aparecida de Goiânia, região metropolitana de Goiânia, passam cerca
de 80% do tempo de aula ao ar livre, em um quintal ajardinado. O
currículo “verde” da escola é trabalhado por meio de um modelo de
aprendizado por projeto, onde não há divisão por série ou disciplina. Os
conteúdos são trabalhados interdisciplinarmente a partir de situações
cotidianas como o acompanhamento de filhotes de pássaros ou da gestação
dos animais.
Na prática, um grupo de alunos, por exemplo, precisa cuidar do ninho
de pássaros feito numa flor-de-maio no quintal da escola e também ficar
atento aos micos que sempre aparecem pelos arredores. Enquanto outra
equipe precisa cuidar de Lua, a cadela, que recentemente teve oito
filhotes. O cuidado com os animais vira conteúdo: aprendem sobre a
gestação, quanto tempo os bebês demoram para se alimentar ou quando
podem se desgarrar das mães. O mesmo acontece com as aves: quantos ovos
botam anualmente galinhas, galinhas d’angolas, gansos e patos.
As atividades são adaptadas ao currículo obrigatório das pouco mais
de 50 crianças, de 2 a 10 anos. “Na realidade social, no dia a dia, as
coisas não acontecem, por competências, de forma isolada como as escolas
costumam trabalhar; mas sempre de maneira simultânea”, afirma Elizete
Lima, a coordenadora pedagógica da escola e especialista em planejamento
escolar pelo IIPE/Unesco.
Um dos projetos realizados por estudantes do 1° ao 4º ano é o Suco da
Luz do Sol. Nele, os alunos trabalham, principalmente, a educação
alimentar: o cultivo do solo, o plantio, a colheita e o consumo dos
alimentos. A experiência, focada em ciências naturais, permite que os
estudantes aprendam conteúdos sobre gêneros textuais (narrando ou
descrendo as atividades), em língua portuguesa, ou sistemas de medidas,
em matemática.
“Não importa se o aluno demora 100 ou 200 dias letivos
para cumprir seu currículo, ele pode mudar de nível escolar em um
semestre. O ideal é que ele realmente domine os conteúdos.”
Em outro projeto, Cuidado com o Mundo, os alunos realizam atividades
sobre preservação do meio ambiente por meio de visitas ao rios próximos à
escola. A partir do estudo de meio, eles aprendem sobre quilometragem,
como tratar os resíduos ou até mesmo como se reproduzem os seres que
vivem na água. “Juntos, crianças e professores planejam, experimentam e
avaliam os resultados. Além desses aspectos, os temas ligados à
sustentabilidade abrem infinitas possibilidades de investigação e
entendimento sobre respeito, responsabilidade e principalmente
consciência ambiental”, afirma Elizete.
De acordo com ela, as escolas em geral não dão conta de empoderar as
crianças e uma das formas de se fazer isso seria através da educação por
projetos e da não separação dos alunos por séries ou distinção de
disciplinas. “Cada aluno é uma identidade. Adotamos o mínimo exigido da
grade obrigatória, conforme os parâmetros curriculares para a educação
básica. O professor precisa acompanhar o aluno na experiência,
ajudando-o a reconhecer-se capaz de aprender e ensinar. Atendendo
necessidades específicas de cada um”, diz. “Não importa se o aluno
demora 100 ou 200 dias letivos para cumprir seu currículo, ele pode
mudar de nível escolar em um semestre. O ideal é que ele realmente
domine os conteúdos.”
// sustentabilidade